Se você fosse o Todo Poderoso o que faria:
1. Pra mim não pediria nada, já que, como Todo Poderoso, seria auto-suficiente. Humm... pensando bem, talvez fizesse a roda do tempo andar para trás. De volta dos bons tempos.
2. Pra família: paz, saúde e prosperidade. É aquela velha história, Mateus, primeiro os teus.
3. Ressucistava o amor da minha juventude.
4. Para o país/povo: impederia a procriação pela próxima década. Já tem muitos brasileirinhos por aí. Precisamos arranjar emprego para eles, antes de botar mais gente no mundo.
1- Como voce fica quando esta apaixonado?
Quando no auge da paixão, sou exagerado em todos os sentidos, mando flores, dou presentes, escrevo cartas e faço declarações desbragadas de amor.
2- Como você lida com o fim de uma relação, seja ela de amor, paixão ou amizade?
Se o fim acontece antes da hora (isto é, quando ainda existe afeto), eu choro, esperneio, me embriago e imploro pra voltar. Se terminou porque chegou ao fim (desgaste dos metais), aguento o cadeiraço e sigo em frente.
PERFIL
Retrato imperfeito.
Abri o correio eletrônico e li a mensagem, aparentemente simples: descreva em poucas palavras quem você é. Barbada, pensei, um retrato 3X4. Só percebi a armadilha na tarde de quinta-feira, 3 de dezembro, quando fui responder a pergunta.
Putz, que tipo de pessoa eu sou?
Estou a mais de meio século peregrinando por becos, vielas e esquinas das mais diversas, convivi com pobres diabos, remediados e nababos. Heróico, combati as injustiças do meu tempo. Covarde, amedrontei-me diante do perigo. Fui amante; fui canalha, fraco, forte, feliz, infeliz. Cometi ignomínias; fui capaz de atos altruístas.
Afinal, quem sou eu? Sei lá, ainda estou tentando me desvendar.
Sei o que já fui: amigo dos amigos, amante dedicado, fiel às minhas emoções e ideais (ingênuo, talvez).
Sei o que não sou: traidor, desonesto e esperto nos negócios (sou um incompetente crônico na arte de levar vantagem).
Sei o que prezo: família, amizade, mulheres, amor, paixão, sexo bom, lealdade, texto bem escrito e um bom combate.
Sei o que desprezo: traição, injustiça, desonestidade, sexo ruim e escrita indigente.
Fui Santo: humilde, solidário em momentos ruins; companheiro na hora da luta, apaixonado em tempo integral: na mesa, no trabalho, na hora do cafezinho e na cama - nos dias úteis e nos dias santos. Chorei de amor, alegria, prazer e arrependimento.
Fui Demônio: trai, menti, enganei. Fui arrogante, cruel e vingativo. Chorei de ódio. Blasfemei de raiva e frustração.
Mas a pergunta ainda não foi respondida: quem sou eu, porra? Um lobo de meia-idade sem vocação para anacoreta? Um cavaleiro errante e anacrônico em busca de um dragão para enfrentar e uma princesa para amar? Um sonhador equivocado que já deveria ter acordado? Um farsante?
Tudo isto e mais um pouco, provavelmente. Ou talvez nada disto.
Só tenho certeza de três coisas: sou gaúcho, colorado e jornalista.
Fora isto, sou imperfeito, como o restante da humanidade.
